Bradesco é alvo de ações coletivas de investidores nos Estados Unidos

O Bradesco tornou-se alvo de duas ações coletivas de detentores de títulos do banco nesta segunda-feira nos Estados Unidos. Os escritórios de advocacia Rosen Law Firm e Brower Priven, de Nova York, deram entrada nos processos no Tribunal Distrital Sul da cidade, nos quais alegam perdas de investidores oriundas da suposta participação do banco em esquemas de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado à Receita Federal.

A ação do Rosen Law Firm cita o investidor individual Willian Bryan e responde por investidores que adquiriram papéis ADS da instituição financeira entre 12 de abril de 2012 e 31 de maio deste ano.

Os investidores acusam Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco; Alexandre da Silva Glüher, diretor vice-presidente e Júlio de Siqueira Carvalho de Araújo, ex-vice-presidente executivo do banco, de estarem ligados a atividades ilegais como pagamento de propina e lavagem de dinheiro. Bryan, autor da ação, afirma ainda que os sistemas de controle interno dos dados financeiros do banco não foram efetivos.

“Requerente, conforme estabelecido na Certificação que acompanha, comprou (papéis) ADSs do Banco Bradesco sob preços artificialmente inflados o período da ação e foi prejudicado sobre a revelação de supostas descrições corretivas”, diz a ação de 31 páginas.

No processo, o banco é acusado de enviar relatórios financeiros “materialmente falsos e/ou enganosos” entre 2011 e 2015 ao órgão regulador do mercado de capitais americano, SEC (Securities and Exchange Commission). Segundo o processo, os documentos “deturpam ou falham em revelar” fatos adversos relacionados aos negócios da Companhia, “que eram conhecidos pelos réus ou imprudentemente ignorados por eles”.

“Especificamente, os réus apresentaram relatórios falsos e/ou enganosos e/ou falharam em revelar que: (1) Banco Bradesco estava ligado a um esquema de propina em conluio com o Carf do Ministério da Fazenda brasileiro; (2) os executivos do Banco Bradesco estavam conspirando para evitar uma multa fiscal de US$ 828 milhões, que foi imposta pela Receita Federal do Brasil; (3) CEO do Banco Bradesco, réu Cappi, e outros executivos, diretores e empregados da Companhia haviam se envolvido em suborno, lavagem de dinheiro e corrupção; (4) O controle interno do Banco Bradesco sobre os relatórios financeiros e seus procedimentos de de divulgação não foram eficazes; e (5), como resultado, as declarações públicas do Banco Bradesco foram materialmente falsas e enganosas em todos os momentos relevantes”, sustenta a ação coletiva.

No processo, consta que o número de investidores afetados ainda é desconhecidos, mas acredita-se que “há centenas ou milhares de membros na proposta classe”, já que os papeís do banco eram “negociados ativamente” na NYSE dentro do período citado. Os American Depositary Shares (ADS) são recibos de ações do banco listados na Bolsa de Nova York (NYSE).

AGOSTO: PRAZO PARA OUTROS ACIONISTAS

Em ação paralela, o escritório Brower Piven também acusa o banco de participar do esquema de corrupção no Carf, levando a instituição a apresentar documentos ilusórios aos reguladores americanos. A firma afirma que Trabuco e outros executivos tinham ligação com pagamento de propina e lavagem de dinheiro.

O período citado pelos autores, no entanto, é um pouco mais curto do que abordado pelo Rosen Law Firm: vai de 30 de abril de 2012 a 31 de maio deste ano. Segundo o documento, outros investidores com perdas acima de US$ 100 mil podem entrar na ação coletiva até 2 de agosto.

O Bradesco informou que não considera que as oscilações ocorridas pelos papéis foram relevantes para uma ação judicial.

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“O Bradesco considera prestados os esclarecimentos devidos sobre os episódios recentes. E não entende ter havido oscilações relevantes no preço dos papéis da instituição nesta semana para justificar a movimentação dos investidores no sentido de uma ação judicial”, justificou.

Na sexta-feira, o escritório de advocacia americano Glancy Prongay & Murray LLP, de Los Angeles, informou que também estuda abrir um processo contra a instituição financeira.

No dia 31 de maio, a PF indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, por possível envolvimento na Operação Zelotes, que investiga um esquema de corrupção no Carf.

Fonte: http://oglobo.globo.com/economia/bradesco-alvo-de-acoes-coletivas-de-investidores-nos-estados-unidos-19453017

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